AC/DC, MAIS UMA AULA CONCLUÍDA COM SUCESSO – SÃO PAULO, 24 DE FEVEREIRO DE 2026
Por Elias Scopel Liebl
Assistir a um show do AC/DC já é uma experiência memorável por si só. Mas quando a jornada começa na estrada, com amigos, motorhome e quilômetros pela frente, tudo ganha um significado ainda maior. Éramos seis amigos nessa jornada: eu, Pudim, André, Fiti, Pedro, Vian e Udo.
Nossa aventura começou na segunda-feira, dia 23 de fevereiro, logo após o almoço, quando partimos da cidade de Videira rumo a São Paulo. O destino final era o lendário estádio MorumBIS, palco do aguardado primeiro show de 2026 da maior banda de rock’n’roll do planeta. Afinal, não era um show qualquer: era o retorno do lendário AC/DC ao Brasil depois de dezessete anos.
A estrada foi embalada por clássicos do rock e do metal — e, claro, por algumas cervejas — criando o clima perfeito para a viagem. Entre conversas, risadas, piadas de quarta série e aquela expectativa que só quem vai ver uma banda gigante ao vivo novamente sente (tive a oportunidade de assistir em 2009, e foi simplesmente insano), as horas passaram voando.
Já à noite, fizemos uma parada estratégica para descanso no Posto Dionísio 88, em Juquitiba. O motorhome virou nosso quartel-general, pois ali tínhamos tudo o que precisávamos: camas, internet, banheiro, som e muito mais. Dormir ali, com a ansiedade do show no dia seguinte, fez parte do ritual da jornada. Era como se cada quilômetro percorrido aumentasse ainda mais a energia para o grande momento.
Na manhã seguinte, retomamos a estrada e seguimos direto para o Morumbis. Chegamos cedo e estacionamos o ônibus em frente ao portão 4, no estacionamento do parceiro Campo Grande. Bastava atravessar a rua e ali estava o estádio. A sensação de finalmente estar naquele local onde, poucas horas depois, uma das maiores bandas da história do rock pisaria no palco era indescritível.
Degustamos várias cervejas, tivemos alguns desentendimentos com o pessoal local durante a hora do almoço — nada grave — e tudo foi resolvido na sequência. Caminhamos um pouco ao redor do grandioso Morumbis, que parece nunca terminar as reformas em seu entorno, enquanto curtíamos o clima festivo.
Do lado de fora, o ambiente já era de festa. Fãs de todas as partes do Brasil e de países vizinhos se reuniam vestindo camisetas pretas, segurando bandeiras e compartilhando histórias sobre a banda. Como de costume, encontrei amigos de longa data, Wagner e Roberta. Entre uma cerveja e outra, demos boas risadas.
No meio da tarde, nosso grupo se dividiu, pois havíamos comprado ingressos para setores diferentes: Pudim e Pedro ficaram na pista 1, Vian na pista 2, e eu, Fiti, André e Udo na arquibancada inferior.
Entramos no evento com muita facilidade — sem fila no nosso setor. Quando chegamos às cadeiras, nos ofereceram a opção de ir para um camarote all inclusive, com bebida, comida, banheiro e ótima localização. Conversamos rapidamente e decidimos aceitar. Estávamos muito bem acomodados.
A banda de abertura, The Pretty Reckless, iniciou o show com um pequeno atraso. A banda é boa, e a vocalista Taylor Momsen tem presença de palco à altura da responsabilidade de abrir a noite. No entanto, no geral, o som não é muito do meu agrado. Ainda assim, cumpriram bem o seu papel.
E quando as luzes se apagam e os amplificadores começam a rugir, toda a jornada faz sentido.
Por volta das 21h, o rugido da multidão tomou conta do Morumbis. O AC/DC subiu ao palco abrindo com “If You Want Blood (You’ve Got It)”, deixando claro, desde o primeiro acorde, que seria uma noite inesquecível. Além disso, era o primeiro show após alguns meses de descanso — e eles pareciam estar com sangue nos olhos.
O guitarrista Angus Young, com seu uniforme escolar clássico, parecia incansável aos 70 anos. Corria pelo palco, interagia com o público e disparava riffs e solos que mesmo após décadas de sua criação, ainda fazem um estádio inteiro se emocionar.
Já Brian Johnson, aos 78 anos e com seu bonézinho, comandava a multidão com uma voz que ainda soa poderosa, o carisma e o esforço desse senhorzinho é algo de tirar o chapéu. Tente lembrar de algum parente ou conhecido com essa idade e imaginá-lo no lugar de Brian. Difícil, não?
O show foi uma verdadeira aula de rock. Quando começaram os acordes de “Back in Black”, o estádio inteiro cantou junto. Em “Thunderstruck”, mais de 60 mil pessoas acompanharam o riff inicial como se fosse um hino, foi emocionate. “Stiff Upper Lip”, “Hells Bells”, foi clássico atrás de clássico. E quando “Highway to Hell” surgiu no set, foi impossível não pular e cantar com os braços erguidos. Na seguência várias pedradas, que mal davam tempo aos fãs respirarem: “Shoot to Thrill”, “Sin City”, “Jailbreak”, “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, “High Voltage”, “Riff Raff”, “You Shook Me All Night Long”, “Whole Lotta Rosie”…
Um dos momentos mais épicos veio durante “Let There Be Rock”, quando Angus Young fez um solo interminável, caminhando por uma passarela que avançava sobre o público, foram vinte minutos de solo, Angus segurando todo o público na palma da mão.
Mas o clímax ainda estava por vir.
No bis, a banda voltou com “T.N.T.”, transformando o estádio inteiro em um coro gigantesco. E, para encerrar como manda a tradição, vieram os canhões de “For Those About to Rock (We Salute You)”, com explosões sincronizadas e o Morumbis literalmente tremendo.
Depois de quase duas horas de show, a sensação era clara: todo quilômetro rodado desde Videira tinha valido a pena.
A estrada, o motorhome, a madrugada no posto e a chegada cedo ao estádio fizeram parte da experiência. Porque ver o AC/DC ao vivo não é apenas assistir a um show — é participar de um verdadeiro ritual do rock.
E naquela noite de 24 de fevereiro de 2026, o Morumbis recebeu mais uma aula perfeita do puro Rock’n’Roll. Mesmo o AC/DC, hoje, estando com apenas dois integrantes de suas formações clássicas, Brian e, principalmente, Angus deram o seu melhor e provaram porque a banda é a maior de todas.
Obrigado mais uma vez pelo megaespetáculo, AC/DC. E um agradecimento mais que especial também aos parceiros de viagem: Pudim, André, Fiti, Vian, Pedro e Udo.
Setlist – AC/DC (24/02/2026 – Morumbis)
If You Want Blood (You’ve Got It)
Back in Black
Demon Fire
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Have a Drink on Me
Hells Bells
Shot in the Dark
Stiff Upper Lip
Highway to Hell
Shoot to Thrill
Sin City
Jailbreak
Dirty Deeds Done Dirt Cheap
High Voltage
Riff Raff
You Shook Me All Night Long
Whole Lotta Rosie
Let There Be Rock (mais solo de 30 minutos, Angus)
Bis:
T.N.T.
For Those About to Rock (We Salute You)
Deguste Rock, na Mira do Rock! e Up the Irons!
Fotos autorais:









